FOTO: Glória Damasceno

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Ao ser questionada, em uma dessas perguntas bobinhas que soam interrogação de questionário juvenil, se a vida fosse um molho, que molho ela seria, a estudante de gastronomia Aline de Almeida Souza (28) respondeu sorrindo que vida seria “molho bechamel”. Além de ser um molho básico oriundo da França, então vida seria base de tudo, como na prática é, ora!, vida também seria agridoce, como bechamel. Nada é só açúcar. Tudo tem seu punhado de sal. E vice-versa!

Desde os 17 anos, a sergipana, nascida na capital Aracaju, trabalha em casa de família. Sempre gostou de cozinhar. É como se os 28 de idade e o prazer de adicionar sabor ao paladar tivessem uma contagem só. Morena, baixinha, de cabelos rarefeitos, afirma que gosta de inventar pratos desde quando se entende por gente. Tinha um sonho de cursar Administração, mas depois viu que gostava mesmo era de cozinhar. Então abraçou a gastronomia, quando a oportunidade tamborilou a porta.  Conseguiu inscrever-se no programa do Ministério da Educação, o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), e aí deu para pagar as contas (luz, água, aluguel) e levar adiante o sonho da gastronomia.

Filha de pai pintor e mãe, também, doméstica, Aline trabalha desde cedo. Lembra que costumava fazer almoços e as pessoas gostavam. Não só cozinhava o tradicional, como aquecia o forno da imaginação e deixava a ideia de sua mente fértil dourar. Comida nas mãos de Aline, até hoje, continua sendo aprovação!

Acha que o tempero dela agrada, porque é essencialmente apimentado. Aline adora uma comida bem temperada. Faz de tudo, mas comida quente, como baião-de-dois, lombo, arroz (óbvio) temperado, lasanha, o famoso carneiro com vinho, são preferências dela. O último item é exemplo de sua capacidade de dar sabor a outros pratos. E em se falando de lasanha, diz estar em primeiro lugar na lista de melhor comida. Isto é, cozinheiro (nem todos, claro) tem sim comida predileta!

Aos 17, Aline engravidou do primeiro, e até aqui, único filho, o Alerrandro, hoje com 11 anos, e por esse presente das circunstâncias, teve que parar os estudos. Casou com o pai do garotinho, com quem viveu sete anos, e foi trabalhar para sustentar o filho. Trabalhou os 9 meses de gestação e pariu Alerrandro quando completou 18 anos. Saiu da casa da mãe 2 anos após o nascimento do filho. Aline sempre viveu com ela. “O pai do meu filho bebia muito, não gostava de trabalhar. Eu sustentava a casa cozinha”, contextualiza o porquê da separação.

Um ano após o divórcio do primeiro marido, Aline conheceu um rapaz com quem viveu durante 6 anos. Mas, avisa logo!, também não deu certo. Chegou a casar no civil e na igreja com ele, todavia com o passar do relacionamento, ele mudou muito. Este tinha um trailer e Aline largou o emprego que tinha para ajudá-lo. Aprendeu muito com ele, contudo, o que ela aprendeu na faculdade, e com a experiência de uma vida em curso entre panelas e ingredientes, não tinha vez. Aline queria inovar. Mas o ex-marido não era suscetível a sugestões, que não fossem as dele. Aline decidiu que era melhor ser só ela e o filho de novo.

Ademais do sonho da gastronomia, ir aos Estados Unidos (EUA) é mais um de seus sonhos. Viajar, conhecer os temperos do mundo. Aprendê-los, adicionar, quando for ocasião, a pimenta que marca e conquista paladares. Abrir um restaurante! Aline quer ter um negócio próprio, onde a culinária nordestina será cardápio a degustar. E seu aprendizado estará à mesa, como resultado e razão de seus esforços.

 

Glória Damasceno

É uma das, muitas!, pessoas que não está na deselegante lista das 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a Forbes. Outro dia sonhou que era esposa do Jon Bon Jovi e acredita que isso é prenúncio para essa vida, ou para a próxima. Sabe-se lá. Escreve também, quando quer, no blog Apenas uma Fresta.

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