Centro

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O cego era eu

Francisco Ribeiro

É jornalista. E-mail: chicoribeiro@msn.com

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De longe, o avistei, logo ao virar à esquerda, numa das esquinas do Centro de Maceió. Enquanto seguia em sua direção, refazia em minha cabeça o roteiro da cena que se sucederia nos instantes seguintes. Agachei-me ao seu lado, toquei no seu ombro e disse: “Edmilson”, que parou imediatamente de tocar o seu pandeiro, “sou jornalista e gostaria de escrever a sua história”. Ele, mais conhecido como Ceguinho do Centro, aceitou. Mas não sem ressalvas. Pediu para que a entrevista acontecesse onde mora, no bairro do Benedito Bentes II. “Porque aqui”, alegou, “o pessoal fica de olho”.

Um dia se passou após meu primeiro contato com Edmilson naquela manhã de sol e mormaço. Era quarta-feira, por volta das 20h, quando bati à porta da sua casa. Agora sentado, confortavelmente, no velho sofá verde da pequena sala, frente a frente com ele e com nossos rostos nivelados, decifrei qual desafio estava posto. A cegueira a ser subvertida era a minha. Para enxergar Edmilson, reconheci que, ali, o cego era eu.

Engana-se quem acha que o Ceguinho do Centro não vê o mundo. A única diferença entre Edmilson e a maioria das pessoas reside na forma como ele traduz as coisas ao seu redor. Compreender sua perspectiva foi o mistério que me propus a desvendar.

“Certa vez, tive um desgosto tão grande, que até hoje não me esqueço”, relembrou, “quase que perco o ouvido”. Os dias em que ficou sem escutar através do ouvido esquerdo, devido a uma inflamação, foram os mais angustiantes da sua vida adulta. Surdo, ele perdeu o senso de direção. “Quando chegava na porta de casa, se ninguém viesse me receber, eu passava direto porque o ouvido esquerdo não ajudava”. Só então, pela primeira vez, Edmilson se viu realmente cego. “Pois é muito através do ouvir, e não do ver, que eu consigo fazer tudo”.

“Estou escuro”, concluiu ele, ainda garoto, naquele que seria o seu primeiro exercício de se perceber no mundo. Edmilson Mendes da Silva tinha cinco meses de vida quando perdeu a visão. “Foi por causa de um leite que mergulhei na escuridão”. Pedi para explicar com mais clareza. Ele o fez:

— Minha mãe disse que foi por causa de um leite, que só poderia ser ingerido quando misturado com uma vitamina; mas ele me foi dado sem. Aí, eu ceguei.

Não enxergar, para Edmilson, foi tragédia e redenção. Foi o drama da sua vida. E também a razão para que não sucumbisse aos seus reveses.

Nascido em São Bento do Una, no agreste pernambucano, ele disputava espaço com os cinco irmãos no barraco apertado em que vivia. Criado como rebento de bicho, foi vítima de maus-tratos durante toda a infância. A cegueira do menino serviu como justificativa para as surras do padrasto.

Certo dia, Edmilson sentou em frente ao casebre onde morava e desatou a cantar. Foi quando descobriu a sua voz como arma para driblar o futuro que parecia já inscrito na trama de sua vida. Daí em diante não parou mais.

Após andanças pelos municípios de Queimada Grande (PE), Canhotinho (PE) e Laranjeiras (SE), sua família fixou residência em São José da Laje (AL). Todo domingo, religiosamente, ele tocava e cantava na feira do município. “Sabe qual era o meu instrumento? Duas latas de sardinha Coqueiro”, lembrou. Desde então, este se tornou o seu ofício. Antes de seguir o texto, é preciso fazer uma pausa e explicar: Edmilson não se vê como pedinte. Ele não suplica esmola. Em troca do seu show, as pessoas lhe dão algum trocado. Edmilson, na verdade, se considera um artista.

Por volta dos dez anos, os maus-tratos tornaram-se cada vez mais constantes. “Com o dinheiro que ganhava, eu conseguia vestir minha mãe e meus seis irmãos, mas, ainda que eu fizesse de tudo pra agradar, não tinha jeito…”. A situação ficou insustentável quando voltou para casa após passar 15 dias internado devido a uma surra do seu padrasto. Diante disso, Edmilson disse a sua mãe:

— Eu num já tô lhe ajudando? Dando calçado e comida? A senhora não precisa mais nem trabalhar. Deixa esse hômi, mãe.

— Não. Eu não vou deixar o meu marido, não – deu o ultimato.

“Ela me falou isso vendo as minhas costas todas ‘lapiadas’ de corda”, recordou. Edmilson, até hoje, carrega a dúvida sobre qual cicatriz mais o machuca: a da alma (a lembrança das palavras de sua mãe) ou a do corpo (as marcas na pele das pisas de seu padrasto). “Se ela tivesse comigo, tinha morrido sem depender de hômi nenhum. Sei lá. Acho que a vida teria sido melhor. Eu, ela e meus irmãos.”

A fuga de casa foi sua única saída. Aos 12 anos, chegou a Maceió com a “roupa do couro” e um pandeiro na mão. Foi naquela época que fez um amigo fiel: o rádio. O “amansa-corno”, como costuma se referir ao portátil, resgatou Edmilson da solidão em que vivia.

Contudo, oito dias depois, se viu obrigado pela polícia a retornar para sua casa. Desesperado, pediu ajuda a um padre que desfez a sina de sua existência. O pároco arranjou uma vaga na Escola Estadual de Cegos Cyro Accioly.

De segunda a sexta, até o fim da tarde, ele era visto na sala de aula aprendendo Braile. E à noite, das 19 às 21h, cantava e tocava na Praça do Bonfim, no bairro do Poço. A transição entre a época da escola até os dias de trabalho no Centro não foi fácil. Sua chegada ao novo local de trabalho foi a duras penas. “Eu fui muito perseguido ali”, revelou.

“O dono do bar situado em frente à Igreja do Livramento jogava água gelada em mim alegando que eu estava atrapalhando o seu negócio. Ele também pagou funcionários para chutar as minhas costas. A dor era tamanha que eu parava de cantar”, contou com voz mansa, como se falasse em terceira pessoa. “Os donos das lojas Casas Lavor e Leite Bastos também se incomodavam com a minha presença. Reclamavam do barulho”.

— Hoje em dia, parou – pontuou. Eu acho que alguns lojistas só me veem porque tem olho na cara. Eles não apoiam o meu trabalho.

Aos 50 anos, Edmilson contabiliza mais de três décadas de trabalho no Centro. Sua jornada é de segunda a sexta, das 10 às 16h. Sem pausa para almoço. Às vezes, também nas vésperas de feriados. Quem avisa o fim do expediente é o radinho que carrega sempre ao seu lado. Com o dinheiro que recebe, sustenta seus três filhos – Renato, 11, Ana Caroline, 9, e Ana Carla, 6, – e mais dois meninos, frutos do primeiro casamento de sua atual mulher, Maria do Carmo. A casinha de dois quartos, sala e cozinha, explicou Edmilson, foi doada pelo Governo Federal, através de um programa que destinava residências populares para deficientes visuais.

A voz tranquila de Edmilson chama a atenção. Ele fala como quem não guarda mágoas, porque, aliás, parece desconhecer o que seja isso. “Minha mãe já morreu e eu pedi muito a Deus que perdoasse ela, porque eu acho que por mais ruim que a mãe seja, andou com a gente nove meses no ventre. Mas o meu padrasto é difícil perdoar. Acho que ele fez demais.”

— Maceió foi boa com o senhor?
— Pra todo mundo que vem fazer entrevista comigo, eu digo: ‘Foi aqui onde eu comecei toda a minha vida’. Quiseram, inclusive, me levar pro Caldeirão do Hulk, mas eu já respondi pras pessoas dizendo que não queria. Porque o Deus de lá é o mesmo daqui. E não quero sair daqui sem família, sem ninguém lá fora. Eu adoro aqui. É Deus no céu, Maceió na terra.

— O senhor está satisfeito com a sua vida?
— Tô. Sofri muito, mas você que luta por aí sabe que a vida não é fácil. Mas, hoje, tô no céu. Hoje a coisa melhorou.

— O senhor tem curiosidade de ver o mundo?
— Não. Porque nesse mundo corrompido pelo egoísmo, pelo preconceito, por tanta coisa que você vê errada e não pode dar jeito, eu prefiro não ver.

— Qual a pior coisa de trabalhar na rua?
— O preconceito e o fato de acharem que eu sou aposentado. Por isso, muitos não colaboram.

— E a melhor?
— Receber o carinho do público. Muita gente que vem do Sul do País elogia o meu trabalho.

— Quem escreve as suas músicas?
— Minha cabeça. Eu não sei se elas são bonitas, mas o povo gosta.

— O que os seus filhos acham do seu trabalho?
— O Renato tem vergonha de mim como pai. Mas não me sinto triste. Porque eu acho que ninguém muda ninguém. Cada cabeça é um mundo. De certa forma, eu até já tô acostumado, porque o meu pai biológico teve vergonha de mim, quando ele disse para minha mãe que iria levar dois dos meus irmãos e não a mim, por eu ser cego. Eu lembro que ela falou: ‘Ou leva todos ou nenhum’. Ficamos.

Edmilson ainda conta que seu sonho é mudar-se para um bairro mais próximo do Centro. Enquanto seu desejo não se concretiza, o Ceguinho segue a vida. Assim como vem fazendo há cinco décadas. “Quer ver eu feliz?”, perguntou. “É quando chega o final de semana, porque eu fico aqui, só numa boa, curtindo uma musiquinha pra descontrair e a mulher tratando galinha pro almoço”, respondeu, sem disfarçar o sorriso. Para concluir a entrevista, questionei:

— O mundo é bom?
— Pra quem sabe viver. O mundo é uma escola. Uma lição.

— E qual lição o senhor aprendeu?
— Uma lição boa, muito boa, essa que eu vivo. Acho que não teria melhor.

Foto: Natália Agra.

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Um tal Galego do Veneno

Elayne Pontual

Idealizou o Vidas Anônimas porque acredita que as histórias mais extraordinárias ainda não foram contadas e que as pessoas mais incríveis nunca foram ouvidas.

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Sentado com uma das pernas apoiada na cadeira, ele anuncia: “Eu sou o maior matador do Estado. Mato rato e barata. Sou o galeguinho do veneno!”.  O papo de Genésio Rodrigues dos Santos, o tal Galego do Veneno, é tão entusiasmado que por um longo momento a gente até esquece o odor incômodo e o barulho perturbador, típicos do Mercado da Produção, localizado no centro da cidade.

— Sou do interior. Fui criado na mata que nem batata. Dentro do mato, que nem um bicho.

Aproveito a oportunidade e pergunto se ele não sente falta de sua terra. Da mesma forma que deu a primeira resposta, soltou a segunda, quase sem pensar:

— E eu sinto falta de morar dentro do mato? E eu sou raposa, menina? Se eu tivesse dinheiro lá, uma fazenda… Eu até que queria um gado, um cercado bom, uns dois cavalos bonitos, mas pra não ter nada, é melhor ficar aqui.

Entre atender aos clientes e responder às minhas perguntas, Genésio por um momento se distrai e, sem afastar a boca do microfone, com a voz já gritante ampliada pelo eletrônico, ele fala para qualquer um que queira ouvir:

— Sou casado e bem casado. A mulher gosta que só de mim. Só me chama de “fio”, ou “fio da peste”, a depender do dia e do momento. E assim a gente vive até hoje.

“Genésio, olha o microfone!”, tento alertá-lo sem sucesso. Passados alguns minutos, ele mesmo percebe a gafe e ri sem jeito da própria situação, agora com parte da vida íntima exposta aos quatro cantos daquele pedaço de Maceió.

Em raríssimos momentos, Galego do Veneno deixa o riso preso. Quando pergunto sobre sua infância e como se sucedeu a vida de menino no interior, ele junta as mãos e baixa a cabeça; parece por alguns segundos voltar ao passado e catar cuidadosamente as memórias de criança, como goiabas caídas do pé.

— A gente tinha um pedaço de terra, mas naquele tempo não existia brincadeira pra moleque. Pelo menos não pra mim e meus irmãos. Foram tantos filhos que meus pais fizeram, que não consigo nem contar nos dedos. De todos, já morreu dois e o resto ainda tá vivo.

Por conta da dureza dos primeiros anos de sua vida, sem tempo para brincadeiras e estripulias, Genésio hoje, “cabra veio” como gosta de dizer, conserva alguns hábitos que quem vê de longe, sem conhecer seu passado de trabalho, custa a acreditar. Imagine só: Um homem corpulento, pele enrugada e cabelos brancos, sozinho, brincando com um avião elétrico que sobrevoa desembestado os móveis da casa. Agora imagine esse mesmo homem sentado ao chão, dessa vez vendo seu carrinho de brinquedo dar voltas pelo imóvel, ziguezagueando por debaixo da mesa e assustando o gato, que arrepia os pelos da espinha exibindo as garras enquanto o mini conversível corre e tromba, eventualmente, nas canelas de sua dona.

— Mas no meu tempo de menino não tinha isso não! Quando sobrava tempo, a gente fazia umas rodinhas e apregava num pedaço de pau. Aquela coisa ficava rodando e era essa a brincadeira da gente dentro do mato.

69 anos se passaram desde que Genésio despontou no mundo recebido com um molhado e mudo beijo materno. Enfrentou “Deus e o diabo”, mas nada disso o impediu de compensar a meninice perdida, que os anos não trazem mais. Cada passo dado até aqui, até à tábua cheia de veneno pra bicho, foi realizado também com a intenção de conquistar o que jamais pôde acrescentar à sua existência. Genésio, depois de tantos anos, apoderou-se não só de aviões e carrinhos de brinquedo, mas também de uma vida que nunca foi sua. Tenta remontar, perto do fim, o seu começo.

Buscando recriar etapas da vida, Genésio tomou uma decisão que alguns anos atrás não poderia sequer imaginar. Matriculou-se numa escola próxima a sua casa.

— Estudei até o 4º ano, mas agora tô fazendo a 8ª série.

— E como está sendo a experiência?

— É ruim que só a gota. Papagaio véio pra aprender a falar dá um trabalho danado.

— Mas sabe ler e escrever?

— Sei escrever alguma besteirinha. Eu tenho a carteira do estudante, quer ver? — tira do bolso e mostra, cheio de um orgulho contido, um documento plastificado com direito a foto, data de nascimento, nome completo e um Nelson Mandela sorridente.

— Por que o senhor resolveu voltar para o colégio?

— Porque eu não fazendo nada de noite, aí vou estudar. Estudo a noite também porque não tem escola de dia pra velho, não.

— A sua mulher te apoia?

— Ela apoia. Não diz nada que atrapalhe, não. Mas também tá aposentada, eu tô aposentado. Tem o salário, arrumo qualquer coisa aqui no mercado e pra mim tá bom. Os meus filhos estão todos criados. Não tem mais menino, eles já têm os negócios deles.

— O senhor trabalha pela manhã e pela tarde, e ainda arrumou o que fazer durante a noite?

— Eu não trabalho pela tarde, não. É só o primeiro horário. Até uma ou duas da tarde, no máximo, porque eu não sou de trabalhar muito. Sou preguiçoso! – solta aquela gargalhada costumeira.

— Mesmo assim foi arrumar escola pra estudar…

— Mas estudar é outra coisa! — ele ri sem jeito, como criança quando é pega na mentira.

Casado há quase 40 anos, Genésio tem filho com três mulheres diferentes. Começou atrapalhado no mundo, e não se importa com as censuras. Seus genes perambulam não só pelas ruas de Maceió, mas também pelas avenidas e logradouros de Mato Grosso e São Paulo. Tem filho jornalista, filósofo e historiador.

— Se eu disser o tanto de filho que tenho, tu vai dizer que é mentira minha. Tenho dois numa mulher, tenho um em outra e em casa, com essa de agora, tenho mais três. Mas casei uma vez só. Eu era metido a doido naquela época, pior do que hoje. Sem vergonho todo.

Genésio desembarcou em Maceió aos 13 anos. Primeiro veio a mãe, depois o pai, ele e os irmãos. Desde então se vira como pode, e assim, crescido no mato, quase sem estudo, decidiu vender veneno como seu ganha-pão. Começou comercializando verdura e carvão para só depois montar o negócio que é o terror dos ratos e baratas da cidade.

Há quase trinta anos trabalhando no Mercado da Produção, Genésio chamou atenção e conquistou seu espaço na capital procurando sempre fazer diferente dos concorrentes. Seu jeitinho todo desenfreado atraiu fregueses e hoje, apesar de não ser bem quisto por alguns roedores e artrópodes maceioenses, ele é uma figura conhecida e querida na cidade. Já foi até candidato a Vereador e a Deputado Estadual.

— Só que nunca ninguém votou em mim. Nem minha mulher votou em mim, porque antes da eleição cheguei em casa bem empolgado e disse: “Mulé, eu já tô é eleito”. Quando foi no dia da eleição fui tomar umas cachaças, fiquei bêbado e não voltei. No tempo de contar o voto não tinha nenhum, nem o meu, nem o da mulher, nem do pessoal. Eu perguntei: “Mulé, por que você não votou em mim?”, ela disse: “E você num já tava eleito?” – ele desata a rir e até agora não sei se foi mais uma de suas piadas. Fico com cara de boba.

Genésio adora o que faz. Para ele, vender veneno é um passatempo e não lhe rende momentos de estresse como quando comercializava verduras. Ele explica:

— Com esse negocinho de vender veneno, ninguém nem chega aqui pra pedir tira-gosto. Porque quando eu vendia verdura, o cara chegava e dizia: “Me dá um tomate pra eu botar no meu feijão?” Quando fui vender amendoim quase me lascava, o pessoal todo só pegando e comendo. Duvido alguém botar a mão aqui pra comer. Não ganho esse dinheiro todo, mas ganho qualquer coisa e pra mim tá bom. Com a idade que estou, pra que gota quero mais dinheiro?

— Você já teve algum problema de saúde por conta de todo esse tempo em contato com veneno?

— Nunca. Veneno só faz mal se o cara comer! — tomei a resposta como lição para a vida.

Otimista, Genésio acredita que esse mundo é bom para quem não busca só o lado ruim das coisas.

— Se o homem vive pensando no que é ruim, só acontece o que não presta.

Reflito, então: “Será essa a fórmula para tanta alegria?”, e sinto um nó no peito só de imaginar Genésio se deixando levar pelas adversidades, pelos momentos de tristeza que parecem raros e, por isso mesmo, metem medo nas pessoas que se afeiçoaram ao seu sorriso. Nesta altura da conversa, não me restam dúvidas de que é preciso muito fôlego para acompanhar seu ritmo, mas compreender seu coração é tão empolgante quanto encontrar uma poesia favorita, guardada na caixinha de lembranças que cheira a papel envelhecido e perfume desgastado.

Antes de me despedir, faço uma última pergunta:

— O que você espera da vida, Genésio?

— Só o que é bom. Não sou sertanejo que espera pela seca. Eu faço o caminho até a fartura antes mesmo da amolação chegar.